O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou em entrevista ao canal estatal VTV que o governo venezuelano está aberto a iniciar “negociações sérias” com os Estados Unidos. Segundo ele, Caracas está disposta a dialogar sobre temas como combate ao tráfico de drogas, investimentos no setor petrolífero e questões migratórias.
Maduro declarou que o governo norte-americano já foi informado dessa disposição por meio de canais diplomáticos e citou o acordo operacional com a petroleira Chevron como exemplo de parceria possível. O modelo, segundo ele, poderia ser replicado com outras empresas e ampliar investimentos em território venezuelano.
Menção a ataque com drone
Durante a entrevista, Maduro foi questionado sobre um ataque com drone atribuído à CIA, ocorrido em uma instalação portuária da Venezuela e considerado por aliados do governo como a primeira ação militar dos EUA em solo venezuelano. O líder venezuelano evitou comentar o caso em detalhes, afirmando que poderá se pronunciar “em alguns dias”.
Contexto de tensão entre Caracas e Washington
As declarações acontecem em um cenário de crescente tensão entre os dois países. Desde agosto de 2025, os Estados Unidos têm conduzido operações militares na região do Caribe e próximo ao território venezuelano, alegando combate ao narcotráfico. Segundo dados citados pelo governo norte-americano, mais de 35 embarcações suspeitas teriam sido alvo de ataques, resultando em ao menos 115 mortes.
Washington acusa Maduro e integrantes do alto escalão do governo venezuelano de envolvimento com narcoterrorismo. As autoridades americanas oferecem ainda recompensa milionária — estimada em US$ 50 milhões — por informações que levem à captura do presidente venezuelano.
Maduro rejeita todas as acusações e afirma que os EUA utilizam esse discurso como pretexto para pressionar Caracas e tentar ampliar o acesso às reservas de petróleo do país.
Possível tentativa de desescalada
Para analistas internacionais, a sinalização de abertura ao diálogo pode indicar uma tentativa de redução das tensões diplomáticas e militares. Entretanto, especialistas alertam que o cenário permanece instável, marcado por desconfiança mútua, disputas geopolíticas e interesses estratégicos ligados ao petróleo e à segurança regional.
As tratativas, caso avancem, devem envolver temas sensíveis para ambos os países, como sanções econômicas, migração em massa de venezuelanos e o papel das Forças Armadas na região. Por enquanto, não há confirmação oficial de uma agenda formal de negociações entre Washington e Caracas.
📰 Da Redação / Chapada em Foco
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