Mais de 100 cursos de Medicina em todo o Brasil receberam avaliação insatisfatória no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). As graduações obtiveram notas 1 e 2, consideradas abaixo do padrão mínimo pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e deverão ser punidas com medidas como restrição ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e suspensão de vagas. Os números foram divulgados nesta segunda-feira (19), durante a apresentação oficial do balanço do exame, em Brasília.
O Enamed é uma prova anual que avalia tanto o desempenho dos estudantes quanto a qualidade do ensino oferecido pelas faculdades de Medicina. Nesta edição, 351 cursos foram analisados em todo o país, e cerca de 30% deles ficaram na faixa considerada insatisfatória, o que acendeu um alerta sobre a formação médica no Brasil.
De acordo com os dados do Inep, 24 cursos receberam conceito Enade 1, o mais baixo da avaliação, enquanto 83 cursos ficaram com conceito Enade 2. Esses resultados indicam falhas significativas na formação oferecida aos estudantes.
A avaliação contou com a participação de aproximadamente 89 mil alunos, incluindo estudantes que estão concluindo a graduação e outros que ainda cursam semestres intermediários. Entre os cerca de 39 mil alunos concluintes — aqueles que estão próximos de ingressar no mercado de trabalho e atender diretamente a população — apenas 67% alcançaram o chamado “resultado proficiente”, ou seja, demonstraram conhecimento considerado suficiente na avaliação. Os demais, quase 13 mil estudantes, não obtiveram desempenho satisfatório.
Antes da divulgação oficial dos resultados, uma entidade que representa universidades particulares entrou na Justiça tentando impedir a publicação das notas. A ação foi protocolada no fim de semana, mas acabou sendo rejeitada, o que permitiu a divulgação integral dos dados pelo Inep.
Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, as instituições que tiveram desempenho insatisfatório terão prazo para apresentar defesa e adotar medidas corretivas. O ministro destacou que o objetivo das avaliações e das possíveis punições não é apenas fiscalizar, mas garantir a qualidade do ensino médico no país.
“A proposta é assegurar que os cursos formem profissionais capacitados, protegendo a população que será atendida por esses médicos no futuro”, afirmou Camilo Santana.
As medidas anunciadas pelo MEC reforçam a preocupação com a qualidade da formação médica e buscam evitar que estudantes sejam formados em cursos que não atendem aos padrões mínimos exigidos para o exercício da profissão.
📰 Da Redação / Chapada em Foco

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