Direita minimiza vitória no Globo de Ouro e critica Wagner Moura nas redes sociais


Após as vitórias do filme O Agente Secreto e do ator brasileiro Wagner Moura no Globo de Ouro provocaram forte repercussão nas redes sociais, especialmente entre perfis ligados à militância de direita. As críticas têm como alvo o ator, a obra cinematográfica e a premiação internacional recebida, reacendendo debates sobre financiamento público da cultura e posicionamentos políticos no meio artístico.

Dirigido por Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto é ambientado em 1977 e acompanha a história de um professor de tecnologia, interpretado por Wagner Moura, que foge da repressão da ditadura militar em São Paulo e se muda para o Recife em busca de um recomeço. No entanto, o personagem acaba confrontado pela realidade política e social do país naquele período.

Grande parte das críticas publicadas nas redes sociais se concentra no uso de recursos públicos para a produção do filme. De fato, O Agente Secreto recebeu um incentivo de R$ 7,5 milhões do governo brasileiro, por meio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), administrado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). O aporte foi aprovado em fevereiro de 2024, dentro da Chamada Pública Produção Cinema via Distribuidora 2023.

Além disso, o longa poderia ter contado com mais R$ 4 milhões em recursos públicos destinados à distribuição nacional, conforme previsto nas regras do FSA. No entanto, a produção optou por não utilizar esse valor adicional. O projeto também recebeu apoio internacional: cerca de R$ 14 milhões foram investidos por governos da França, Alemanha e Holanda, além de aproximadamente R$ 5 milhões provenientes da iniciativa privada.

Durante seu discurso de agradecimento no Globo de Ouro, Wagner Moura destacou o momento positivo vivido pelo cinema brasileiro e ressaltou a importância das políticas públicas de incentivo à cultura. O ator é conhecido por suas críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), especialmente em relação à redução e à paralisação de mecanismos de fomento cultural durante o governo anterior.

Para Moura, o fortalecimento do cinema nacional passa, necessariamente, pela manutenção e ampliação de políticas públicas voltadas ao setor audiovisual. O debate, no entanto, segue polarizado, refletindo a divisão política que marca o cenário brasileiro atual, inclusive no campo da cultura e das artes.

📰 Da Redação / Chapada em Foco

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