Após assassinato de PM, Nordeste de Amaralina vira campo de guerra e acumula alto número de mortos

 
O número de mortos no Complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador, chegou a 11 nesta quinta-feira (5), após uma sequência de confrontos iniciada com o assassinato do cabo da Polícia Militar (PM), Glauber Rosa Santos, de 42 anos. O policial foi baleado na cabeça na madrugada de terça-feira (3). Desde então, a região vive dias de tensão, com operações sucessivas das forças de segurança.

Na terça-feira (3), oito suspeitos morreram durante ações policiais. Outros três óbitos foram confirmados dois dias depois, um no Vale das Pedrinhas e dois no próprio Nordeste de Amaralina, bairros que integram o complexo.

Segundo a PM, todos os atingidos chegaram a ser socorridos e encaminhados para unidades de saúde, mas não resistiram. Com o grupo, conforme a corporação, foram apreendidas três armas de fogo, uma granada e porções de entorpecentes.

A Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que ao menos seis dos mortos tinham antecedentes por crimes como tráfico de drogas, roubos, porte ilegal de arma, estelionato, furto e receptação. As identidades não foram divulgadas oficialmente.

Transporte suspenso e escolas fechadas

O clima de insegurança alterou a rotina de moradores. No fim da tarde desta quinta, os ônibus deixaram de circular até o final de linha do Nordeste de Amaralina. De acordo com a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), o ponto final foi transferido provisoriamente para a Rua do Balneário, em Amaralina, a cerca de 1,5 km do trajeto original. Não há previsão para normalização do serviço.

Na área da educação, a Escola Municipal São Pedro Nolasco, no bairro de Santa Cruz, segue com as aulas suspensas desde terça-feira. Conforme a Secretaria Municipal da Educação (Smed), 124 estudantes estão sem atividades presenciais. O policiamento permanece reforçado, com equipes ostensivas e especializadas atuando em diferentes pontos do complexo.

Equipes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio de unidades operacionais e da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (Core), realizam incursões e coletam depoimentos na região do Vale das Pedrinhas e adjacências. Informações reunidas durante as diligências estão sendo incorporadas ao inquérito.

O ataque que desencadeou a ofensiva

De acordo com a SSP-BA, Glauber Rosa Santos foi atingido na cabeça durante o que foi descrito como um ataque promovido por traficantes. Ele chegou a ser socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE), passou por cirurgia, mas não resistiu.

O sepultamento ocorreu na quarta-feira (4), em Senhor do Bonfim, cidade natal do policial, no norte baiano. O cortejo percorreu ruas do município com acompanhamento do Corpo de Bombeiros.

O secretário de Segurança Pública, Marcelo Werner, classificou os responsáveis pelos disparos como “covardes faccionados” e afirmou que as forças estaduais seguem mobilizadas.

Quem era o cabo

Integrante da corporação desde 2009, Glauber atuava no 30º Batalhão da Polícia Militar, que cobre o Nordeste de Amaralina. Ele deixa dois filhos — um de 8 anos e outro de 3.

A Polícia Militar informou que presta assistência à família do agente e que manterá o efetivo reforçado no complexo por tempo indeterminado. Enquanto isso, moradores convivem com bloqueios, mudanças no transporte e presença ostensiva de viaturas em pontos estratégicos da região.

fonte/reprodução:bnews_oficial

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