De acordo com informações divulgadas pelo Blog da jornalista Julia Duailibi, o gesto foi interpretado nos bastidores da Polícia Federal como um recado duro e incomum, sinalizando que o ministro não desejaria a participação institucional da PF no processo, mas apenas de profissionais específicos.
O procedimento adotado por Toffoli foge do rito burocrático tradicional. Normalmente, o STF encaminha a solicitação de perícia ao Instituto Nacional de Criminalística (INC), que conta com mais de 200 peritos especializados. Cabe à direção do órgão designar os profissionais adequados conforme a natureza da investigação.
Ao encaminhar uma lista pronta com quatro nomes, sem consultar a direção-geral da Polícia Federal, o ministro acabou atropelando a autonomia administrativa da corporação, o que gerou desconforto e críticas internas.
Apesar do ruído político, a apuração aponta que os peritos escolhidos possuem elevada qualificação técnica e ampla experiência em investigações complexas. Um dos nomes de maior destaque é o atual chefe da área de perícia em informática, responsável pela criação do sistema IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais).
Considerado uma verdadeira revolução no campo investigativo, o IPED é utilizado em grandes operações nacionais, como a Lava Jato e as investigações dos atos de 8 de janeiro. O software funciona como um agregador de provas digitais, permitindo o processamento simultâneo de dados extraídos de celulares, e-mails, aplicativos de mensagens e arquivos multimídia.
Com isso, investigadores conseguem realizar buscas por palavras-chave em milhares de arquivos ao mesmo tempo, cruzando informações que estariam dispersas em diferentes plataformas, o que torna a apuração mais rápida e eficiente.
Mesmo com a excelência técnica dos profissionais indicados, o episódio evidencia uma tensão institucional entre o STF e a Polícia Federal, levantando debates sobre limites, autonomia e procedimentos na condução de investigações sensíveis.
📰 Da Redação / Chapada em Foco
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