O Departamento de Justiça dos Estados Unidos revisou a acusação contra o ex-líder venezuelano Nicolás Maduro e deixou de classificá-lo como chefe do chamado Cartel de Los Soles. Na nova versão do processo, Maduro passa a ser descrito como beneficiário de um amplo esquema de corrupção estatal, que teria utilizado o tráfico de drogas como instrumento para enriquecimento ilícito.
A revisão também trouxe mudanças importantes na forma como o próprio cartel é definido. Antes apresentado como uma organização criminosa estruturada, o “Cartel de Los Soles” agora é descrito como uma designação genérica para uma rede difusa de agentes e oficiais corruptos ligados ao aparato estatal venezuelano, e não como um grupo único e centralizado. O termo, que aparecia mais de 30 vezes nos documentos anteriores, agora é citado apenas duas vezes.
Mesmo com o ajuste jurídico, o discurso político em Washington permanece praticamente inalterado. Autoridades norte-americanas continuam adotando uma retórica dura contra Maduro. O secretário de Estado, Marco Rubio, segue se referindo a ele como chefe do grupo, apesar das mudanças formais no processo.
Além disso, a nova acusação tenta conectar Maduro à facção criminosa conhecida como “Tren de Aragua”, um grupo de origem prisional que se expandiu pela América do Sul. Analistas, porém, avaliam que essa associação tem forte conotação política e carece de provas consistentes.
Mesmo com o rebaixamento de seu suposto papel na hierarquia do cartel, a situação judicial de Maduro continua grave. Ele se declarou inocente em tribunal em Nova York, mas ainda responde a quatro acusações criminais, incluindo:
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conspiração para narcoterrorismo
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tráfico de cocaína
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envolvimento em esquema internacional de drogas
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posse de armamento pesado
O caso segue em tramitação na Justiça norte-americana e pode ter novos desdobramentos nos próximos meses.
📰 Da Redação / Chapada em Foco
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